Eça de Queirós nasceu na Póvoa de Varzim? A história e os lugares do escritor

Entre o “Tchó” e o Cego do Maio, nas costas da t-shirt Ala-Arriba, está um nome que se estuda em todas as escolas do país: Eça de Queirós. O que muita gente não sabe é que o grande romancista português é, segundo a maioria dos biógrafos, filho da Póvoa de Varzim.

Nasceu na Póvoa

José Maria Eça de Queirós nasceu em novembro de 1845, e a maior parte das fontes dá o dia 25. Era filho do magistrado José Maria Teixeira de Queirós, nascido no Rio de Janeiro, e de Carolina Augusta Pereira de Eça, que ainda não eram casados. Segundo várias biografias, nasceu numa casa da Praça do Almada, no centro da cidade.

A polémica: Póvoa ou Vila do Conde?

O local exato do nascimento é discutido até hoje. Foi batizado a 1 de dezembro de 1845 na Igreja Matriz de Vila do Conde, com o registo a indicar “mãe incógnita”, e foi nessa vila que viveu os primeiros anos, em casa da madrinha, Ana Joaquina Leal Barros. A maior parte dos biógrafos aponta a Póvoa, e um dos argumentos mais usados é uma frase do próprio escritor, que se descreveu como “pobre homem da Póvoa de Varzim”. Mas não há certeza absoluta, e as duas cidades têm razões para o reclamar.

Uma infância longe da Póvoa

Eça não cresceu na Póvoa. Depois dos primeiros anos em Vila do Conde, foi viver para Aveiro, em casa dos avós paternos. Estudou no Colégio da Lapa, no Porto, formou-se em Direito em Coimbra e fez carreira como escritor e diplomata, até morrer em Neuilly, em França, a 16 de agosto de 1900.

Onde encontrar o Eça na Póvoa

  • Praça do Almada: é a praça da casa onde se diz que nasceu, e onde está a estátua do escritor, erguida em 1952. É também a praça do Pelourinho e dos Paços do Concelho, e por onde passam as rusgas na noite de São Pedro.
  • Largo do Café Chinês (hoje Largo David Alves): ligado à época dourada da Póvoa como praia de banhos no século XIX. Entre as figuras ilustres associadas a este largo está o pai do Eça. Para perceber como era a Póvoa dessa época, lê Avenida dos Banhos, a cara da Póvoa.
  • Escola Secundária Eça de Queirós: a escola da cidade tem o nome do escritor.
  • Varzim Sport Club: o primeiro troféu do clube, em 1920, foi a Taça Eça de Queiroz. Se queres a história do Alvinegro, consulta o dicionário poveiro.
  • Correntes d’Escritas: o festival literário internacional da cidade mantém viva essa ligação aos livros.

Dois poveiros do século XIX

O Cego do Maio nasceu em 1817 e o Eça em 1845. Um é o poveiro do mar, o outro é o poveiro das palavras. Os dois estão na t-shirt, e é por isso que ela funciona como um retrato da Póvoa: lê a história do Cego do Maio.

Porque está na t-shirt Ala-Arriba

A coleção Ala-Arriba da 080AYA fala de pertença, e a pertença também é de quem escreve. O Eça está ali porque a Póvoa o reclama como seu, com orgulho e sem medo da polémica, como acontece com quem sente que um grande nome da cultura também é “da terra”. Quem é da Póvoa reconhece-o logo. Quem não é, fica a saber que o maior romancista realista português tem aqui uma das suas pátrias possíveis.

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