São Pedro: santo pescador, padroeiro dos poveiros e a noite longa da Póvoa de Varzim

Nas costas da t-shirt Ala-Arriba há várias palavras que falam de fé: “Poveirinhos pela graça de Deus”, “Fé em Deus”, “S. Pedro”. Para quem é da Póvoa, é uma conversa de família. Para quem não é, é uma porta para uma das tradições mais fortes da cidade.

Porque é que o mar pede fé

A vida dos pescadores poveiros sempre foi inseparável do mar, e o mar sempre foi incerto. A devoção era a forma de lhe pedir proteção, e entre os santos há um que é o mais querido de todos: São Pedro, o santo pescador e padroeiro dos poveiros. O dia dele, 29 de junho, é feriado municipal na Póvoa.

As Festas de São Pedro

A noitada de São Pedro, de 28 para 29 de junho, é conhecida como a “noite mais comprida do ano”: sardinhas assadas, fogueiras, tronos e música pelas ruas, com milhares de pessoas a ir de bairro em bairro até de manhã. Os seis bairros tradicionais, Belém, Matriz, Mariadeira, Norte, Regufe e Sul, competem entre si nos tronos dedicados ao santo e nas rusgas, os desfiles de marcha com coreografias e cantares preparados durante meses. As raparigas desfilam de blusa rendada, avental com as cores do bairro e meias de risca, como as tricanas. A rivalidade é a sério, mas o bairrismo é sadio.

A festa não acaba na noitada: dura cerca de onze dias, de 25 de junho a 5 de julho, com iluminações, concertos, o Estádio do Varzim a receber as rusgas e um cortejo final. A parte religiosa mantém-se, com a missa e a procissão.

Uma festa que renasceu

As festas nem sempre foram contínuas. Pararam depois da tragédia de 1892 e só foram retomadas, de forma organizada, em 1962, por iniciativa da Câmara Municipal. Segundo o Museu Municipal, a ideia surgiu entre 1953 e 1954, quando se procurava uma festa em junho para antecipar a época balnear: as festas de São João já eram fortes em Braga, no Porto e em Vila do Conde, e São Pedro, padroeiro dos pescadores poveiros, era a escolha ideal. As rusgas foram inspiradas nas marchas populares de Lisboa e adaptadas à Póvoa. Em 1974 a data tornou-se feriado municipal.

As romarias do mar

A fé poveira não se resume a junho. Duas romarias de pescadores têm uma ligação especial à paisagem:

  • Senhora da Saúde: no último domingo de maio, a romaria percorre cerca de 7 quilómetros entre a Igreja Matriz e a capela junto ao monte de São Félix, um ponto de referência para os pescadores no mar.
  • Santo André: uma romaria que passa pelas praias até à capela de Santo André. Os pescadores poveiros acreditam que este santo é o “barqueiro das almas”, que vai buscar ao fundo do mar as almas dos que se afogam.

Muitos dos participantes são pescadores que vão pagar promessas.

Fé em Deus

“Fé em Deus” também aparece no texto da t-shirt, e não é por acaso: é o nome de uma lancha poveira, reconstruída pelo Museu Municipal. Quem quiser ver de perto como era o barco que enfrentava o mar pode visitar o museu, que também guarda a memória das siglas poveiras. E é ao mar que a história do Cego do Maio nos leva, a de um pescador que arriscou a vida dezenas de vezes pelos outros.

Porque está na t-shirt Ala-Arriba

A coleção Ala-Arriba da 080AYA fala de pertença, e na Póvoa pertencer passa também pela fé. As referências a Deus e a São Pedro estão ali porque são a forma como esta comunidade sempre falou do mar: com respeito, com gratidão e com festa. Quem veste a t-shirt leva isso consigo.

Descobre a t-shirt Ala-Arriba →