Se já viste as costas da t-shirt Ala-Arriba, reparaste num nome entre o 4490 e o "Que dizes": Cego do Maio. Quem é da Póvoa não precisa de explicação. Quem não é, vai querer saber quem foi.
Um pescador que se tornou herói
O Cego do Maio chamava-se José Rodrigues Maio e nasceu a 8 de outubro de 1817, na Rua dos Ferreiros, na Póvoa de Varzim. Era filho de pescadores, pescador sardinheiro, e os poveiros também lhe chamavam "Ti Maio".
O que o tornou lendário foi o que fazia quando o mar corria mal. Arriscou a vida dezenas de vezes para salvar companheiros e outros náufragos. Segundo a Câmara Municipal, quando foi nomeado patrão do salva-vidas, em 1881, já tinha mais de 80 salvamentos no seu pequeno batel, com os dois filhos, Francisco e Manuel, como tripulantes. Há quem fale em cerca de cem vidas salvas.
Porque lhe chamam "Cego"?
Curiosamente, parece que nunca foi cego. Uma das explicações é que tinha uma mancha num olho e o apodo acabou por pegar. Outra versão, contada na terra, liga o nome à coragem de quem se lançava ao mar sem olhar ao perigo. Como em tantas histórias poveiras, há mais do que uma versão.
A sigla da família
Como muitas famílias de pescadores poveiros, o Cego do Maio tinha a sua marca. A dele era o meio-sarilho. Se queres perceber o que são as siglas poveiras e como funcionam, lê o nosso artigo sobre siglas poveiras.
A condecoração do rei
As suas proezas valeram-lhe a maior distinção do Estado, o Colar da Ordem da Torre e Espada, colocado pessoalmente pelo rei D. Luís I.
Conta a tradição poveira que, ao receber a honra, ele retribuiu com um punhado de conchinhas, dizendo: "Tome lá ó Ti' Rei, uns beijinhos para as suas criancinhas brincarem!" Como acontece com as boas histórias orais, é uma versão que se conta na terra e não um registo oficial, mas diz muito sobre o carácter que os poveiros lhe reconhecem.
O monumento em frente ao mar
O busto é do escultor Romão Júnior e foi feito por iniciativa de poveiros emigrados no Brasil, em 1909. Está no Passeio Alegre, virado ao mar, a poucos passos da Avenida dos Banhos, e é considerado o monumento mais emblemático entre os heróis poveiros. O nome continua vivo no dia a dia: dá nome a um agrupamento de escolas e ao núcleo local do Corpo Nacional de Escutas.
Porque está na t-shirt Ala-Arriba
A coleção Ala-Arriba da 080AYA não é um souvenir de praia. O texto nas costas da t-shirt é um mapa afetivo da Póvoa: a fé, o sotaque, a mesa, o mar e as pessoas que fazem a identidade poveira. O Cego do Maio está lá porque representa o que a coleção quer dizer: coragem, comunidade e pertença.
Quem veste a t-shirt leva consigo uma história que pode contar, e quem a vê e pergunta "quem é o Cego do Maio?" acaba a conhecer a Póvoa um bocadinho melhor.