Quem eram as tricanas poveiras? A elegância da Póvoa que está na t-shirt Ala-Arriba

Entre o "Que dizes" e a rabanada, nas costas da t-shirt Ala-Arriba, há uma palavra que muita gente fora da Póvoa não conhece: Tricana. É uma das figuras mais marcantes da identidade poveira, e tem uma história que vale a pena contar.

Quem era a tricana poveira?

A tricana poveira era uma rapariga do povo que se vestia de forma vistosa. O traje juntava xaile, blusa, avental, saia, lenço e chinelo lustroso de tacão. Eram, por norma, raparigas da vila, muitas delas empregadas na costura e filhas de sapateiros, carpinteiros e outros ofícios, e o seu modo de vestir e de andar tornou-se uma imagem de marca da Póvoa.

Tricana e mulher da pesca: não é a mesma coisa

As mulheres ligadas à pesca usavam um traje parecido, mas mais pobre: saia mais comprida, materiais mais modestos e cores mais escuras. A tricana era a versão vistosa e urbana, a mulher da pesca era a versão de trabalho. Juntas, mostram duas faces da mesma comunidade.

O tempo das tricanas

O auge da tricana foi entre os anos 20 e os anos 60 do século XX, e o seu impacto sentia-se tanto entre os poveiros como entre os forasteiros que visitavam a cidade. O traje foi moda entre as adolescentes de classe média até ao aparecimento do pronto a vestir, nos anos 70.

Como se vestia uma tricana

Na versão festiva e recreativa, o traje tem avental multicolor, blusa de seda ou renda com gola, saia preta, meia de vidro com risca e chinelo de tacão fino. Existe também uma versão etnográfica, mais sóbria, mas igualmente rica.

Onde ver as tricanas hoje

Hoje, as tricanas aparecem sobretudo em grupos folclóricos e desfiles. O grande momento é nas Rusgas de São Pedro, a 28 e 29 de junho, em que as tricanas têm um papel central nas festas da cidade. Em 1993 nasceu o Grupo Recreativo e Etnográfico "As Tricanas Poveiras", para manter viva esta tradição. Se quiseres perceber o resto da festa, brevemente teremos um artigo sobre o São Pedro.

As mulheres e a camisola poveira

A tricana é só uma das figuras femininas da Póvoa. A camisola poveira, por exemplo, era tricotada pelas mulheres que ficavam em terra, e é vista como um símbolo de saudade. Depois da tragédia de 27 de fevereiro de 1892, que mergulhou a comunidade piscatória no luto, o traje tradicional ficou de luto também. Para conhecer outra figura marcante desta comunidade, lê a história do Cego do Maio.

Porque está na t-shirt Ala-Arriba

A coleção Ala-Arriba da 080AYA não fala só do mar e dos homens do mar. Fala da Póvoa inteira, com a sua fé, o seu sotaque, a sua mesa e as suas pessoas. A tricana está lá porque representa a Póvoa vista, vestida e orgulhosa de si, o que é uma parte tão importante da identidade poveira como o que acontece na lota.

Quem veste a t-shirt leva consigo uma história para contar. E quem lhe pergunta "o que é uma tricana?" fica a conhecer a Póvoa um bocadinho melhor.

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